Os problemas de saúde mental – transtornos mentais e comportamentais – continuam sendo o principal motivo de afastamento de servidores públicos no Distrito Federal. No primeiro quadrimestre de 2019, a quantidade de licenças para tratamento de saúde chegou a 15.854 em todo o GDF – uma média de 132 atestados por dia. No mesmo período de 2018, foram 14.836 funcionários licenciados.

O segundo motivo de afastamento são as doenças osteomusculares e do tecido conjuntivo, que incluem lesões por esforços repetitivos, mais conhecidas como LER/Dort, luxações, problemas posturais, entre outros. 

Em terceiro lugar estão os fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde, classificados clinicamente como Z-54, e incluem as convalescenças após tratamento cirúrgico.

Liderança

A Secretaria de Saúde lidera os afastamentos. Do total de licenças, 53% são de servidores da SES; 34% da Educação; e 13% das demais pastas. 

Os dados são do Boletim Epidemiológico dos Servidores Públicos Estatutários (concursados) do Distrito Federal e confirmam o cenário apresentado pelo SindSaúde há alguns anos. O adoecimento do servidor gera um problema para ele, sua família, para a população e para os cofres públicos, aponta a presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues. 

“Os servidores estão endividados e sofrem com chefias despreparadas e assediadoras, além de terem enfrentado dias terríveis nesses últimos anos, sem qualquer condição de trabalho. E todas essas condições adoecem o servidor, que já lida com a rotina muito estressante”, afirma.

Segundo a sindicalista, os números já demonstram este cenário de afastamento por problemas de saúde mental há alguns anos. “De todos os afastamentos da Saúde, a maioria são por doenças de transtorno mental. Isso é muito preocupante. E a razão, nós temos estudado isso no Projeto NovaMente, criado pelo SindSaúde”, completa. 

Redução de custo

Apesar do aumento no número de licenças, o GDF economizou no primeiro quadrimestre, já que a quantidade de dias de afastamento dos servidores de janeiro a abril de 2019 foi menor – 431.243 este ano, enquanto no mesmo período de 2018 foram 443.359 dias. 

“É preciso que o estado ofereça melhores condições de trabalho e programas de prevenção às doenças. Veja que em uma pequena redução no número de dias de afastamentos, o GDF já observou uma economia nos cofres. Imagine se houver um olhar atendo à saúde daqueles que cuidam da população. O custo das licenças é muito alto para o governo sim. O custo da prevenção é sempre menor e ainda salva vidas”, pontua Marli Rodrigues. 

Espaço NovaMente

O Espaço NovaMente funciona no Guará, num espaço de 4 mil metros quadrados de área verde. Além dos consultórios para atendimento há espaço para acompanhantes, redário, sala de pesquisa, ambientes ao ar livre e espaço para atividades em grupo.

Os servidores afastados do trabalho ou em processo de afastamento têm atendimento interdisciplinar com profissionais da psicologia, terapia ocupacional, fisioterapia, educação física e serviço social.